Monthly Archives: Dezembro 2012

Relâmpago, 29-30

Este blog ainda não existia quando o volume (que cobre um número duplo) foi lançado na Casa Fernando Pessoa. Foi um privilégio poder coordenar esta Relâmpago temática dedicada ao sempre desafiante tópico que é poesia e revolução. Seria óbvio dizer que está na ordem do dia falar disto, mas em verdade o alcance aqui é […]

Três poemas (David Berman)

NEVE Caminhando por uma planície com o meu irmão, o pequeno Seth apontei para um lugar onde crianças tinham moldado anjos na neve. Por qualquer razão, disse-lhe que um esquadrão de anjos tinha sido morto a tiro e dissolvera-se ao embater no solo. Perguntou-me quem atirara sobre eles e eu respondi que um lavrador. Em […]

Desaparecer na paisagem ou João Bénard da Costa no Japão

Num livrinho onde também se fala de Paulo Rocha, João Bénard da Costa revela-nos como o livro de areia de Borges é, afinal, um jardim de areia. Intitula-se Quinze dias no Japão (2001), e foi publicado pelo jornal O Independente numa colecção de pequenos livros de viagem (em que avultam também Venceslau de Morais, Eça, […]

Paulo Rocha (1935-2012)

Poucas coisas no cinema terão a qualidade gráfica de Verdes Anos (1963). Nunca a violência e a impossiblidade de regresso foram filmadas de forma tão esclarecedora. A melhor ilustração está seguramente na sequência final que aqui deixo, juntando-me, com humildade, à homenagem que nos merece um dos nossos artistas mais extraordinários.

Não ideias sobre a coisa mas a coisa ela mesma (Wallace Stevens)

No princípio do fim do inverno, Em Março, um esquelético grito vindo de fora Assemelhava-se a um som na sua mente. Ele sabia que o ouvira, O grito de um pássaro, à luz do dia ou antes, Ao primeiro vento de Março. O sol estava a nascer às seis, Não mais um penacho deformado sobre […]

Kafka por WB, esperança e opacidade

Escreve Walter Benjamin sobre Kafka (recorro à edição inglesa de Illuminations, a melhor introdução que conheço a WB): «Thus, as Kafka puts it, there is an infinite amount of hope, but not for us. This statement really contains Kafka’s hope; it is the source of his radiant serenity.» (p. 142). Como é que se passa […]