Dois poemas de Leonard Cohen

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Foi Kurt Cobain que escreveu uma canção – «Pennyroyal tea» – onde se diz: «Give me a Leonard Cohen afterworld/ So I can sigh eternally». «Afterworld» poderá ser aqui o Inferno ou o Paraíso, tanto faz, porque Cohen é uma espécie de grande mestre de cerimónias que nos conduz sabiamente por esse lugar metafísico onde Paraíso e Inferno são Um a um só tempo. O mundo é a casa do amor e da morte, e Cohen é uma das portas de entrada para esse reconhecimento. Entre o amor e a morte há também o sentido de humor e a coragem de um judeu que escreveu um dia um livro de poemas com o título de Flowers for Hitler (1964), de onde fazem parte estes dois poemas.

TUDO O QUE HÁ PARA SABER ACERCA DE ADOLPH EICHMANN

Olhos……………………………………Medianos
Cabelos….………………………………..Medianos
Peso……………………………………..Mediano
Altura……………………………………Mediana
Características distintivas…………………Nenhuma
Número de dedos das mãos………………Dez
Número de dedos dos pés………………..Dez
Inteligência……………………………….Mediana
O que esperava?
Garras?
Incisivos descomunais?
Saliva verde?
Loucura?

A MÚSICA TREPAVA EM NÓS

Devo lembrar
a gerência
que as bebidas estão diluídas em água
e que a rapariga do bengaleiro
tem sífilis
e que a banda é composta
por ex-monstros ss
Porém e já que é
véspera de Ano Novo
e que eu tenho cancro labial
irei pôr o chapéu de papel na minha
concussão e dançar

[Poemas retirados de Leonard Cohen, Stranger music: selected poems and songs, Londres, Jonathan Cape, 1993]

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