Monthly Archives: Fevereiro 2013

Flirting with this disaster

Chet was a wreck. Agora, quando o escuto, algo se move, a terra move-se, a sombra que o meu rosto denuncia e que é a sombra dele, move-se. O que dizer de alguém morto, antes da música já morto, morto para a vida quando agarrava a crisálida metálica e invertia o curso da dor? Não […]

Neurolixo (tóxico) (mentes e máquinas #11)

Visões parciais, com consequências eventualmente funestas, estão presentes hoje numa parte muito considerável do pensamento contemporâneo sob a forma de aglutinações e rótulos do género (neuro)estética, (neuro)ética, (neuro)economia, (neuro)política, etc. É disso que trata Aping mankind: neuromania, darwinitis and the misrepresentation of humanity ( 2011) de Raymond Tallis. Tallis é sistemático, reflexivo, informadíssimo, impiedoso e profundamente […]

Finding a fit (mentes e máquinas #10)

Em Milplanaltos, Gustavo Rubim fez em tempos não muito distantes uma comunicação notável sobre a antropologia enquanto género literário. Fazendo salvarguardar a ausência de centro (não há axiologia, como diria Gilles Deleuze) da literatura e da antropologia, Rubim demonstrou como, historicamente, a antropologia se faz inscrever numa tradição que tem, a montante, o ensaio (a […]

Venezianas

I Isola di San Michele. A poucos passos um do outro, Brodsky e Pound. Talvez se odeiem no eterno, mas aqui partilham um mesmo bocado de ilha. De que valem os escandidos mundos exclusivos? II Como são mistificatórias as presunções de certos seres embriagados de arte e de si mesmos. Escolas e declinações apaixonadas não […]

Cavando (Seamus Heaney)

Entre o meu indicador e o meu polegar Jaz a acocorada caneta: ajustada como uma arma. Sob a minha janela, um nítido arranhado som Quando a pá mergulha em solo pedregoso: Meu pai, cavando. Eu olho de revés Até que, no canteiro, suas nádegas distendidas Se dobram baixo, avançam vinte anos distantes Com ritmo curvando-se […]

Peças desirmanadas (mentes e máquinas #9)

A partir de odds and ends fazer ou refazer uma teoria da cognição que seja a um tempo especulativa e rigorosa.

Gerald Edelman entre as máquinas (mentes e máquinas #8)

Para o neurobiólogo Gerald Edelman, o cérebro, à semelhança do sistema imuntário, opera selectivamente ao longo do tempo de vida do indivíduo. Neste contexto, o desenvolvimento de circuitos neuronais no cérebro leva a uma extrema variação anatómica no plano microscópico que é consequência de um processo de selecção contínua, sendo que um dos elementos mais […]