Mundos e autopoiesis (Mentes e máquinas #3)

MC Escher, 1948

MC Escher, 1948

Uma das ideias que gostaria de explorar, e que não anda longe de Goodman, prende-se com certas formas de construtivismo radical (o que sugere figuras como as de Ernst von Glasersfeld, Humberto Maturana e Francisco Varela) que fazem supor que o conhecimento se traduz num processo auto-organizador (o que será, talvez, um modo estimulante de qualificar os «mundos» de Goodman): autopoiesis, portanto. Neste sentido, a cognição depende de sistemas que se regulam a si mesmos, sendo que nada os precederá por razões relativamente óbvias: como todo o conhecimento é uma construção em vez de um mera compilação de dados empíricos, é impossível saber até que ponto o conhecimento revela afinal uma realidade ontológica que o precede. Isto é uma objecção muito séria a cognitivistas como Dan Sperber ou Daniel Dennett. A grande lição a retirar disto é, talvez, a de que não há mecanismos cognitivos a-contextuais; e, nesse sentido, não há mundos foras das versões, nem mecanismos inatos que possam ser ponderados fora do adquirido. Não muito longe disto, espreitam Gerald Edelman e Tim Ingold.

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