Monthly Archives: Maio 2013

Samuel Beckett ou a apoteose da solidão

E a arte é a apoteose da solidão. Beckett (1986, p. 51) Beckett será porventura aquele que se furta à exegese, à interpretação. Estamos perante um dado axial da modernidade: o mundo é expurgado dos símbolos e suas derivas, o mundo, no seu desencantamento extremo, furta-se à interpretação. Tudo o que temos é o inegociável […]

O som do mundo

Algumas semanas após a publicação pela Assírio & Alvim do belíssimo Fogo, destacaria um dos aspectos mais significativos e recorrentes da poesia de Gastão Cruz: a importância que o som tem aí como dispositivo de contaminação e deflagração da memória, isto é, do sentido. Gastão é um dos grandes poetas da língua porque a sua […]

Estrada

I Em nós se faz o espanto o erro e a morte. II Qualquer termo se faz – o fim, a cilada, o choro, a sorte. III Percorro a estrada – de espuma é o chão. IV Quente superfície sob moldado céu.

Tóquio

Um sofrimento sem medida poderia acordar o mundo. Mas não, nada o exige. Melhor assim. Hotéis recebem os hóspedes do hábito e do tédio. Numa estação de metro gente sonâmbula acotovela-se.

Milplanaltos com Carlota Simões

Des jardins autres

Estarei por lá. No dia 18 de Maio, sábado, entre as 12h 15 e as 12h 45 farei uma leitura do meu ensaio inédito sobre Rui Chafes com o título «Uma singularidade elegíaca: Rui Chafes ou a mais escura paisagem».

Espelho

Olhei o espelho, o negro filme comoveu-me até ao osso, uma antecipação dessa flor que o temível compõe na lapela do fotografado, noivo e sempre ausente.