Monthly Archives: Junho 2013

Canção (St John Perse)

[«Canção» é o fragmento de abertura de Anabase de St.-John Perse (1887-1975). Foi publicado pela primeira vez em 1924. Terá sido aí que Alexis Leger assumiu o pseudónimo de St.-John Perse, que o irá acompanhar até ao fim. Após a publicação deste poema, Perse deixará de publicar durante vinte anos. A marca indelével de Anabase pode […]

Uma singularidade elegíaca: Rui Chafes ou a mais escura paisagem

A arte de Rui Chafes é uma incisão nesse mundo violentado, eviscerado que a modernidade nos legou. Poderíamos definir o seu projecto como uma singularidade elegíaca, porque nele se joga uma tensão permanente entre a lucidez trágica e disfórica e a vontade do frágil e do leve. O século XX é, na sua impiedade, o legado […]

Das cicutas

Caro Stevens, a redenção está por perto, não a revolução, que, como sabe, nunca foi grande coisa, como nunca o são as aglomerações agitando-se por aquilo que poderá ainda cair das cicutas.

Michel Foucault, vinte e nove anos após a sua morte

Vinte e nove anos após a sua morte, a influência de Michel Foucault é enorme. Mas, em grande medida, é também profundamente irónica, e revela como é improvável o pensar e o agir (porque uma e outra coisa são modalidades do mesmo) hoje. Por um lado, trata-se porventura de um dos autores mais citados e […]

LW

Tudo o que é o caso e os ténues ramos de infelicidade a baterem no vidro da minha janela. Anoto na pauta do acontecido a lírica percussão de uma forma sem nome.

Milplanaltos com Cláudia Pinto

Após a fala do cavalo Xanto

Cf. Ilíada, XIX, v. 400-20 Após a fala do cavalo Xanto, ficámos face ao emudecido recorte da densa natureza, horizonte infigurável, por todos os sítios sitiando-nos. Disso não haverá remissão e o silêncio dos actos de morte repetida deixará em nós a ferida da palavra visitada e visitada e visitada outra vez.