Uma polaroid

Duarte1997
Duarte

Após o abandono da casa,
sobraram-me os objectos
que deixaste ou esqueceste:
os velhos sapatos, a pasta
em que arquivavas
as tuas dívidas de anos,
o magoado crédito da tua ausência,

e a primeira polaroid:

frente ao branco que te serve de cenário,
o verde da planta alonga-se a teu lado –
«Não a deixes tocar o tecto,
Corta-lhe as hastes.»

Alguém morrerá depois do imenso trajecto.

De mãos nos bolsos,
preparas-te para
a inamovível mudez

e sorris para o espectáculo de ti.

Umbria, Guimarães, Pedra Formosa, 1999, p. 32.

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