Clarabóia

AngstSobes a escadaria em espiral em direcção ao gabinete onde trabalhas. Reparas – pela primeira vez reparas – na clarabóia que te vigia. Pouco a pouco, vais reunindo pormenores, o que torna a clarabóia uma improvável geometria suspensa no puro ar: a rede de metal, as células de vidro sobrepostas, a gravitação do pó, a coluna de luz que se despenha, o voo do suicida em suas formidáveis leis. Soberana num labor que julgas arbitrário, a clarabóia declina o seu jogo e o seu canto.

Não haverá por quem hoje possas lembrar isto.

Angst, 2002, p. 56

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