Subjectivas mesas (sobre Wallace Stevens)

Mais espesso que a água (2008)É com uma estranha malícia
que distorço o mundo.

Assim se revigora o opaco
e a possibilidade de invenção, ainda.

O cimento é o tonal modo
de nos agarrar às significativas paisagens
a ocidente.

Dobram-se como árvores, as frases,
sob o vento que veio do nada.
Asas destroem a insaciada ordem
que nos governa, a pólis de anátema
que se instala no texto.

Vejamos: a cidade começa aqui
nas ásperas figuras do entardecer.
Descrevo o que flutua
neste espaço, a infigurável

destreza moderna trucidando
com dedos de morte
os acantos e as cicutas

que só existem em reais palavras
como subjectivas mesas
sobre as quais me desloco,
velozmente.

Mais espesso que a água, Livros Cotovia, 2008, pp. 125-6.

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