Monthly Archives: Setembro 2014

A sala

A sala tem uma cadeira e a cadeira antecipa a espera. Alguém se sentará aí, esperando a imóvel noite. O seu olhar será profundo sob as máscaras que roubará ao rosto, película a película, pele a pele. Tanta coisa dependerá dessa intransparente notícia da realidade declinada e mortal, dessa mudez de linguagem e recolhimento. Anúncios

Vigília

Partiste agora cegam-me as tuas pequenas perfeições: a curva das pestanas fechada no sono alarga-se até ao meu horizonte. Insone costumava observar as pupilas moventes, mudando deltas de veias azuis, cegamente percorrendo a minha face. Aproximei-me em algumas noites, os meus lábios em contacto com as tuas pálpebras pulsantes agarrando a deriva do teu sonho. […]

Miopia

São a janela para a alma, tu disseste, esses olhos; e que dizes agora, quando a luz os esculpe, células se dispersam, e a miopia parece sonho, cortina, sombra de sombra, velo que a luz fez violentar, lembrado apenas? Eu atravesso a estrada sem óculos; da ciência, a sua crença recuperada. Tu acenas, nitidamente.