Aula Inaugural Paulo Valverde | 21 de Outubro, às 16h, Edifício S. Bento, Anfiteatro II

III Aula Paula Valverde - cartaz

Eis a Aula Paulo Valverde deste ano. Ver também aqui.

POR RAZÕES DE SAÚDE, O PROFESSOR JOÃO VASCONCELOS NÃO PODE FAZER A AULA INAUGURAL PAULO VALVERDE AMANHÃ, DIA 7. A SESSÃO DECORRERÁ NO DIA 21 DE OUTUBRO NO EDIFÍCIO S. BENTO, ANFITEATRO II À MESMA HORA. PEDE-SE DESCULPA PELOS EVENTUAIS INCÓMODOS.

O homem da guitarra azul & outros poemas (Wallace Stevens, 1937)

Guilhotina_2015 1

Aí está a minha tradução de The man with the blue guitar & other poems (1937) de Wallace Stevens. Saiu há poucos meses nas Edições Gulhotina. É um livro importante para mim, por muitas razões, algumas das quais estão contidas no ensaio introdutório, ou numa mais antiga versão que publiquei aqui. Há, pelo menos, mais duas traduções portugueses, que não conheço, e ainda bem, quanto mais não seja porque não fui condicionado por elas no exercício de tradução. Aliás, a tradução andava comigo há anos, mas nunca encontrou ninguém genuinamente interessado na sua publicação. Os meus agradecimentos vão para as Edições Guilhotina. Penso, muito sinceramente, que é um dos livros mais importantes de poesia do século XX. É uma das minhas grandes alegrias de leitor e escritor.

Extinção

Ralph Eugene Meatyard
Ralph Eugene Meatyard

Estão à minha frente,
num mutismo que faz desabar
as horas, ali, onde a duração esplende
em rostos de circunstância.
Eu regresso a velhos temas,
a invisibilidade com que se diz
uma fotografia de infância,
uma árvore destruída,
espectro ou desenho
do que não podemos saber,
o terreno fértil dos símbolos
que crescem à nossa volta,
que não cessam de crescer,
finos cabelos de deuses colando-se
às paredes da linguagem,
o eco da minha voz esmorecendo
em entusiasmos que são despedidas.
Tudo é util e seguro,
tudo é incerto depois.
A reciprocidade
faz nutrir a violência
que surge na linha do horizonte.
A reciprocidade engorda a violência.
Com o tempo a vida desaba,
o mundo regressa por influência
de sofrimentos desabridos,
eternidades que a juventude
não desmente, e o pavor
de me saber mortal,
de procurar por entre dedos
a fria extinção.