David Bowie, in memoriam

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És agora uma estrela negra,
Uma esfinge no firmamento iluminado,
Negativo do céu.

Hoje sentei-me à tua mesa.
Hélas, les amis de la vieillesse.
Cantaste o indecifrável chamamento.

Era essa a tua única vocação, uma estilização enfática
Do que só poderá ser derrota, perjúrio, mentira.
Disseste-me que não podias abrir mão

De todos os segredos, e que tudo era interpelação
A um amigo desconhecido.
Eu disse-te que a arte é o anzol que fere a morte,

Que luta com ela, deixa vestígio,
Um silabário por reconstruir.
Assim é a minha tarefa, reunir todos os fantasmas,

Civilizá-los por medidas e caprichos,
E denunciar a beleza
Para escândalo daqueles que acreditam na beleza.

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