Bio

Photo on 04-11-2015 at 16.49 #2Nasci em 1968 em Angola, quando Angola «era nossa» (que horror!). Cresci e estudei em Lisboa. Em 1995 parti para Coimbra para leccionar, onde permaneço. Sou professor de cadeiras de antropologia na UC. Escrevo etnografias, ensaios e poemas. Gostava de escrever contos, mas raramente o faço. Suspeito que nunca escreverei qualquer romance. Presumo que isso faz de mim um professor, um antropólogo, um ensaísta e um poeta.

Seja como for, temo a palavra «poeta» (tal como temo a palavra «filósofo»). Apesar do desconforto, sinto-me muito próximo da poesia e nada próximo de muito do que se faz hoje em nome daquilo a que chamamos de «ciência», o que não quer dizer que não tenha algumas preferências e obsessões em relação ao cânone científico.

Gosto da designação de «pensador lírico» que traduz uma reflexão de Hannah Arendt sobre Walter Benjamin («he thought poetically, but he was neither a poet nor a philosopher») e gostaria muito de ser digno dessa expressão que me parece consonante com a minha sensibilidade. Porém, quando escrevo poemas, quando reflicto sobre isso, quando publico poemas, estou, evidentemente, interessado em ser lido como um poeta.

Como antropólogo prefiro as fronteiras, os espaços que teimam em persistir entre culturas, os interstícios, os híbridos, as ontologias fluidas, as anomalias, os rizomas. Escrevi sobre guerra, trauma e memória; sobre as implicações forenses do discurso psiquiátrico; sobre biotecnologias e bioarte; sobre cultura e cognição; sobre antropologia e literatura; sobre neurociências; e, ultimamente, sobre o Japão como imagem.

Escrevo e publico poemas desde há vinte anos para cá. Escrevo ensaios sobre poesia, alguns sobre poesia portuguesa recente, em particular na Relâmpago, uma empresa poética e ensaística.

Tenho orgulho em ser um discípulo de Wallace Stevens. Traduzi o seu The man with the blue guitar & other poems (1937), que foi publicado pelas Edições Guilhotina em 2015. O livro contém a minha tradução – O homem da guitarra azul & outros poemas – mais um breve ensaio e um conjunto de notas.

O meu último livro de poesia, A noite imóvel, foi publicado em 2017 pela Assírio & Alvim.

Uma parte do meu trabalho poético foi traduzido para outras línguas europeias (castelhano, francês, italiano, inglês, alemão, croata, húngaro, são alguns exemplos). Orgulho-me especialmente da tradução para alemão do meu livro O vidro sob o título de Glas e publicado em 2017 pela Aphaia Verlag.

Há uns atrás comecei a tirar fotografias porque muitos dos meus poemas e muitos dos meus ensaios são sobre o «ver». O que vemos, o que não vemos, o que conhecemos, o que não conhecemos, o que está fora do ver, isto é, fora da mente, fora da cognição. Usei as imagens como um arquivo de traços que o meu ver ia deixando na paisagem. Raramente fotografava pessoas. Ainda hoje não sei porquê. Interessei-me muito por espaços urbanos, ou restos deles, arquitecturas em declínio, ruínas, decadências e pó. Interessam-me muito, ainda. Escrevi sobre isso num livro que saiu na Dafne. Como antropólogo é isso que continuo a explorar. Como escritor também. Ao olhar para estas fotografias (e haverá fotografia hoje, ainda?), reparo, por exemplo, como muitas das minhas particulares obsessões e declinações como escritor se encontram aí incluídas. A mesma vontade de pensar a biografia através de indícios, sombras, ruínas; a mesma vontade de interrogar a fragilidade, a violência, a memória e a morte. Ficam aqui algumas, ficarão depois outras mais.

Coordenei, a par de Ana Pires Quintais, o grupo de discussão e de experimentação Milplanaltos.

Vivo em Coimbra num bairro cheio de gente envelhecida e cheio de gatos. Gosto de velhos e de gatos.

Oiço Bach, Monteverdi, Handel, John Coltrane, Chet Baker, Ornette Coleman, Don Byron, John Cage, Morton Feldman, David Lang, Brian Eno, Durutti Column, David Sylvian, Mark Hollis, Thomas Feiner, Sparklehorse e muito blues do Delta.

Gosto de cinema. De Vertov, de Chaplin, de Tati, de Godard, de Tarkovsky, e, sim, de Chris Marker. Gosto muitíssimo de cinema japonês: de Yamanaka, Ozu, Mizoguchi, Kurosawa e Kobayashi, entre outros. Suspeito que é no Japão que estiveram, talvez ainda estejam, os mais importantes artistas visuais. Escreverei, em breve, sobre isto, e um dia irei ao Japão!

Sou um homem de esquerda, mas sem ênfase. A minha sensibilidade trágica não permite converter-me a muitos dos entusiasmos de esquerda.

Estruturalmente agnóstico, acredito mais na redenção do que na revolução. E a redenção será poética ou não será!

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