Category Ensaio

Dobra e escala em Ruy Duarte de Carvalho

Quando leio Ruy Duarte de Carvalho sou assaltado por uma certeza: estamos perante um escritor na fronteira, um escritor em que o «interior» e o «exterior» estabelecem relações de contiguidade que só podem ser descritas topologicamente. Dir-se-ia que RDC é um escritor das dobras, das plicas, em que a psicologia profunda se encena na sua […]

Sobre «O vidro». Texto escrito por ocasião da atribuição do Prémio Pen (Poesia).

Talvez se imponha dizer que este livro agora premiado – O vidro – é também de todos aqueles que dispensaram o seu tempo e o seu entusiasmo nesse acto de inigualável nobreza que é a leitura de poesia e sobre essa leitura foram dando o seu testemunho ao longo de vinte anos de poemas e […]

Exúvia, gelo e morte: a arte de Rui Chafes depois do fim da arte

Evoquemos o choro de Hölderlin à beira do Neckar, quando os deuses recuam sem regresso. O luto do mundo. É isto o trabalho de Rui Chafes, um modo de traçar na paisagem – nessa paisagem esventrada que nos coube com o advento da modernidade, onde passariam a imperar sem negociação os «dark satanic mills» cunhados […]

Arrancar penas a um canto de cisne

Vinte anos a escrever. A poesia reunida. De frente para trás, do hipotético presente para o hipotético passado. Arrancar penas a um canto de cisne. Poesia 2015-1995. A capa reproduz uma imagem gentilmente cedida por Rui Chafes. O ensaio que serve de posfácio («Inventar a antiguidade do som mais antigo») é de Pedro Eiras. Deixo […]

Arte e Neurociência na ESAD

Anoto aqui a minha conferência sobre arte e neurociência feita recentemente junto da ESAD (Caldas da Rainha). Agradeço à Célia e ao Emanuel o convite.

O Teatro Anatómico e a finitude do humano

A emergência histórica do Teatro Anatómico nos finais do século XVI lança-nos para uma reconceptualização moderna do humano. A morte e a finitude do humano surgem no Teatro Anatómico como aspectos de um drama – de um espectáculo – que irá alimentar o exercício e a constituição de um olhar clínico. Será a partir desse […]

O mapa de uma sombra

A arte, como Cláudia Renault a entende, é uma realização do impensado, sem o qual não pode haver pensamento, sem o qual, e numa linha heiddegeriana que lhe é particularmente cara, não há habitar. A arte é uma actividade que vive na aporia entre aquilo que foi e aquilo que será, como se esse presente […]