Category leituras

Dobra e escala em Ruy Duarte de Carvalho

Quando leio Ruy Duarte de Carvalho sou assaltado por uma certeza: estamos perante um escritor na fronteira, um escritor em que o «interior» e o «exterior» estabelecem relações de contiguidade que só podem ser descritas topologicamente. Dir-se-ia que RDC é um escritor das dobras, das plicas, em que a psicologia profunda se encena na sua […]

Sobre «O vidro». Texto escrito por ocasião da atribuição do Prémio Pen (Poesia).

Talvez se imponha dizer que este livro agora premiado – O vidro – é também de todos aqueles que dispensaram o seu tempo e o seu entusiasmo nesse acto de inigualável nobreza que é a leitura de poesia e sobre essa leitura foram dando o seu testemunho ao longo de vinte anos de poemas e […]

Exúvia, gelo e morte: a arte de Rui Chafes depois do fim da arte

Evoquemos o choro de Hölderlin à beira do Neckar, quando os deuses recuam sem regresso. O luto do mundo. É isto o trabalho de Rui Chafes, um modo de traçar na paisagem – nessa paisagem esventrada que nos coube com o advento da modernidade, onde passariam a imperar sem negociação os «dark satanic mills» cunhados […]

Arrancar penas a um canto de cisne

Vinte anos a escrever. A poesia reunida. De frente para trás, do hipotético presente para o hipotético passado. Arrancar penas a um canto de cisne. Poesia 2015-1995. A capa reproduz uma imagem gentilmente cedida por Rui Chafes. O ensaio que serve de posfácio («Inventar a antiguidade do som mais antigo») é de Pedro Eiras. Deixo […]

O homem da guitarra azul & outros poemas (Wallace Stevens, 1937)

Aí está a minha tradução de The man with the blue guitar & other poems (1937) de Wallace Stevens. Saiu há poucos meses nas Edições Gulhotina. É um livro importante para mim, por muitas razões, algumas das quais estão contidas no ensaio introdutório, ou numa mais antiga versão que publiquei aqui. Há, pelo menos, mais […]

Uma arte do degelo

O livro Uma arte do degelo: a bio-arte e a tectónica do presente é uma reflexão sobre as implicações das biotecnologias no campo artístico. A bio-arte usa, como media, a vida, manipulando-a em laboratório, recontextualizando-a no espaço público, exigindo ponderação reflexiva. Os trabalhos que se fazem aí inscrever parecem sugerir uma perturbação profunda das fronteiras […]

Herberto, epitáfio

O amador disse ser, no já crepúsculo de uma vida, a coisa amada, a poesia. De metamorfoses se faz a face do agora morto, o vento torce vestígios de Inverno, o mar parece calmo mas contém futuras iniciações de que nada sabemos, ainda.