Category Memória

שואה

A mansidão de Deus, não das vítimas, Seria o que havíamos colhido das cinzas da história. Um sopro de destruições e as feridas sem sutura: Tudo isso era demasiado humano Para pertencer a Deus, para O dizer. Na Sua casa, Ele permanecia Enrolado sobre si mesmo, criança aterrorizada Que só pode esperar, impotente, a violência […]

David Bowie, in memoriam

És agora uma estrela negra, Uma esfinge no firmamento iluminado, Negativo do céu. Hoje sentei-me à tua mesa. Hélas, les amis de la vieillesse. Cantaste o indecifrável chamamento. Era essa a tua única vocação, uma estilização enfática Do que só poderá ser derrota, perjúrio, mentira. Disseste-me que não podias abrir mão De todos os segredos, […]

Dobra e escala em Ruy Duarte de Carvalho

Quando leio Ruy Duarte de Carvalho sou assaltado por uma certeza: estamos perante um escritor na fronteira, um escritor em que o «interior» e o «exterior» estabelecem relações de contiguidade que só podem ser descritas topologicamente. Dir-se-ia que RDC é um escritor das dobras, das plicas, em que a psicologia profunda se encena na sua […]

Sobre «O vidro». Texto escrito por ocasião da atribuição do Prémio Pen (Poesia).

Talvez se imponha dizer que este livro agora premiado – O vidro – é também de todos aqueles que dispensaram o seu tempo e o seu entusiasmo nesse acto de inigualável nobreza que é a leitura de poesia e sobre essa leitura foram dando o seu testemunho ao longo de vinte anos de poemas e […]

Aula Inaugural Paulo Valverde | 21 de Outubro, às 16h, Edifício S. Bento, Anfiteatro II

Eis a Aula Paulo Valverde deste ano. Ver também aqui. POR RAZÕES DE SAÚDE, O PROFESSOR JOÃO VASCONCELOS NÃO PODE FAZER A AULA INAUGURAL PAULO VALVERDE AMANHÃ, DIA 7. A SESSÃO DECORRERÁ NO DIA 21 DE OUTUBRO NO EDIFÍCIO S. BENTO, ANFITEATRO II À MESMA HORA. PEDE-SE DESCULPA PELOS EVENTUAIS INCÓMODOS.

Herberto, epitáfio

O amador disse ser, no já crepúsculo de uma vida, a coisa amada, a poesia. De metamorfoses se faz a face do agora morto, o vento torce vestígios de Inverno, o mar parece calmo mas contém futuras iniciações de que nada sabemos, ainda.

O mapa de uma sombra

A arte, como Cláudia Renault a entende, é uma realização do impensado, sem o qual não pode haver pensamento, sem o qual, e numa linha heiddegeriana que lhe é particularmente cara, não há habitar. A arte é uma actividade que vive na aporia entre aquilo que foi e aquilo que será, como se esse presente […]