Skate (Thom Gunn)

Cabeça-à-Toa na sua prancha de skate
ziguezagueia por entre uma multidão
de pés e rostos diferidos
numa lenta estupidez.
Guinadas, dobras, torções.
Tu reparas como agilmente
o corpo aprendeu
a estimar a relação entre
prancha, caminhantes,
e o imediato passeio.
Emblema. Emblema de moda.
Cai-lhe o tão delicado
branco sujo em desalinho
como os drapejamentos
num requintado
santo do Renascimento.
A corrente à volta da cintura.
Uma mão enluvada.
Cabelo tingido para mostrar-se tingido,
chama pálida em combustível soltando-se.
Cabeça-à-Toa na prancha
aperfeiçoando-se a si mesmo:
emblema invulgar
do vulgar.

No rosto assexuado
os olhos inocentes de sentir
logo sugerem o espírito.

[Poema retirado de The man with night sweats, Nova Iorque, Farrar Straus Giroux, 1992]